quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Emanuel Pombo, atual campeão nacional de DHU

Entrevista a Emanuel Pombo, feita por Rui Fidalgo e Gonçalo Freitas

Quem é Emanuel Pombo? É um rapaz que gosta de bicicletas, de se divertir com os amigos e de fazer competição, entre muitas outras coisas. 

Como surgiu o downhill na tua vida?
Surgiu em 2002, o meu irmão arranjou uma bicicleta, ele é que me iniciou no desporto. Começámos a ver na Internet downhill e contactámos na Madeira, uma empresa que organizava provas de downhill, para fazermos uma pista na nossa zona. E fizemos, eu não tinha bicicleta na altura, só o meu irmão, e eu andava com a dele, depois essa loja emprestou-me uma bicicleta, fiz um resultado já bastante bom e comecei a correr lá na Madeira pelo clube Ciclo Madeira e depois foi competir, competir, até hoje. 

O facto de seres da Madeira influenciou--te a ires para o downhill, uma vez que o terreno na Região é ideal para a modalidade?
Lá o BTT é mais fraco do que o downhill, porque temos muitos trilhos, as condições da ilha favorecem a prática do desporto. Depois foi o gosto e agora é a competição que mais me motiva. 

Tens algum treino específico?
Tento fazer um pouco de tudo, na pré-época insisto mais em ginásio, em andar um pouco com a bicicleta de cross, para desenvolver o físico, porque durante a época são bastantes as provas e precisamos de repouso.  Depois intercalo a bicicleta de downhill com a de cross, depois dependendo das provas, faço treino de longa ou curta duração, depende do objectivo a curto prazo. 

Estrada não?
Não, faz-me confusão os carros. 

E a roda fina?
Não me faz confusão, mas sinto-me melhor a andar na terra e a estrada não me motiva, porque estão sempre carros a passar e distraio-me, mas de vez em quando faço. 

Preferes o donwhill ou o downtown?
O downhill, porque é diferente, porque damos uma “maior luta”. Mas, por exemplo, aqui o downtown em Lisboa é diferente, porque temos o público a puxar por nós, as características são muito boas. Mas, se tivesse que escolher, escolhia o downhill. 

O que é que sentes quando estás a descer?
Às vezes sinto nervosismo, não me sinto bem em cima da bicicleta quando são competições onde tenho de fazer um bom resultado e às vezes ponho muita pressão em mim, mas quando me sinto super bem é uma sensação… posso ter os problemas todos, mas quando estou em cima da bicicleta e vou para descer esqueço-me de tudo.  

Tens noção da velocidade que podes atingir numa descida?
Mais ou menos, com uma bicicleta de cross, onde os travões são bastante compridos, poderá ser 80km/h, com a de donwhill é mais rápido.  

Já deste alguma queda grande que te deixasse lesionado com alguma gravidade? No primeiro ano de cadetes vim cá a Sesimbra e fiquei em terceiro lugar, na segunda prova aqui no Continente, em Sabrosa, na primeira descida cai, parti o pulso e desloquei o cotovelo e nesse ano já não corri mais, a partir daí nunca mais tive nada de especial. 

Há quantos anos és convidado para o Lisboa Downtown?
Desde 2003. 

E como é competir ao lado dos melhores do mundo da modalidade?
É muito bom, porque assim sempre nos podemos “picar” com eles e aprender um pouco, porque eles são os melhores e temos que nos reger pelos melhores e ver o que fazem. 

O que faz deles os melhores?
Fazem isto dia-a-dia, são pagos para andar, têm as condições todas.  Mas também porque eles trabalharam muito para chegar ao nível em que estão, por isso também sei que está ao alcance de qualquer um chegar ao nível deles, mas é preciso muita dedicação, preparação e muito apoio. 

Não costumas correr todos os dias?
Eu não sou atleta profissional, não tenho ordenado como os profissionais. Tenho as coisas pagas, mas não da forma como os profissionais têm. Só com apoios não é suficiente… Se queremos apostar e tirar tudo disto… mas também temos que receber algo para podermos sobreviver e, para isso acontecer tenho ser um dos melhores lá fora e isso é um sonho que gostava de ver realizado por mim, ou por algum português.  

Fazem falta empresas a apostarem mais?
Apostar e haver o crer por parte do atleta, o sacrifício necessário para qualquer desporto de alta competição.  

A tua intenção era viver disto?
Sim, se eu pudesse escolher era isto. Tenho o objectivo de quando terminar o curso poder estar ao nível dos melhores do mundo. 

Que curso estás a tirar?
Uma licenciatura em turismo. Mas quando terminar gostaria de fazer o que eu mais gosto que é competir. 

Porque a partir daí estarás a 100%? Sim. Vou tentar arranjar os patrocínios suficientes para fazer as taças do mundo e apostar. E também sei se correr algo mal, tenho algo por trás que me irá ajudar que é o curso. 

Nesta fase o teu objectivo principal é o curso?

Sim. Iniciei o curso no final de 2007, são três anos. 

Já correste fora?
Sim, quando era júnior fui aos campeonatos do mundo e fiz 14º, recentemente tive em Andorra, mas aquilo é complicado, porque temos que treinar bastante as descidas e fiquei em 57ª na geral. O objectivo era ficar nos trinta primeiros, mas não consegui. Mas, também tenho a perfeita noção que aquilo lá é bastante competitivo, não podemos deixar margem de erro. Mas sei que com treino e com confiança consigo chegar lá.

Nas pistas, o que se nota de diferente?

A minha maior dificuldade é pelo facto daquilo serem descidas muito longas e nós não estamos habituados e isso sente-se ao nível físico, fico sem força nos braços é preciso treinar bastante, mas isso consegue-se. Já te aconteceu levares amigos a provas e eles ficarem apaixonados pela modalidade? Sim, tenho amigos na Madeira e outros que fiz cá que gostavam de downhill, mas não tinham ninguém para puxar por eles e começaram a andar comigo.  

O que é que poderias dizer a uma criança que não sabe o que é o downhill para o incentivar?
Acima de tudo tem que escolher o desporto por gosto e não por obrigação e, depois é aprender a andar mais rápido, mas não é de um dia para o outro. Temos que ter os cuidados necessários, porque de uma hora para a outra podemo-nos magoar a competir. No fundo é divertir-se e ter juízo na cabeça. 

Quem são os teus ídolos?

Eu por acaso gosto dos dez melhores do mundo, porque cada um tem um estilo diferente, posições diferentes nas provas. Os que mais se destacam são o Sam Hill, o Steve Peat, o Greg Minnaar, são pessoas de referência que eu olho como ídolos, que observo para tentar chegar lá. 

Este ano a taça é para ganhar?
Espero bem que sim, eu em elites nunca ganhei, tive um empate, mas tiveram que se reger pelo mais velho e não me coube a mim, por isso o  meu objectivo será vencer a taça de Portugal e depois ser campeão nacional. 

Há um fosso grande entre os três primeiros e os demais?

Já houve mais, mas neste momento já existem mais pilotos a aproximar-se e isso é sinal que o desporto está a evoluir, tenho a perfeita noção que pelo menos os cinco primeiros querem ganhar e isso motiva-me mais para treinar e aumentar o meu limite. 

Se não houvesse um Cláudio Loureiro o Emanuel abrandava mais e o contrário também é verdade. Concordas?

Concordo perfeitamente, a competição é como um motor da evolução, isso só é bom e só vem motivar os dois, para sermos melhores. 

Melhor seria se houvesse muitos mais? 
É obvio, se houvesse mais pessoas a lutar pelo título, maior seria a determinação nos treinos e a vontade de ganhar. 

Se existisse um site, como o do Cristiano Ronaldo, “onde vai estar daqui a três anos”, mas com o teu nome. Qual seria a resposta?
Eu gostaria de estar a cortar a meta do campeonato do mundo, num sítio qualquer, sendo eu profissional de downhill. Se eu pudesse escolher era isso, mas isso é um sonho. Agora a sério… se eu recuasse três anos, não imaginaria que estaria em Chaves, por isso espero estar ainda com mais saúde e feliz. 

Qual é a relação que tens com o teu irmão, sendo dois atletas que praticam a mesma modalidade, mas com protagonismos diferentes. Tu tens mais evidência…
Inicialmente competíamos e ele andava muito mais do que eu e eu não gostava disso e isso foi a motivação para melhorar. Por isso, estou onde estou e isso também se deve a ele, porque eu tentei sempre demonstrar que conseguia fazer melhor e a partir daí fui evoluindo. Mas não me posso desleixar, porque ele chega-me aos calcanhares. Ele é dois anos mais velho que eu, tem 23.

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